Engenheiro de manutenção analisando gráfico de causas de falha em fábrica industrial

No setor industrial, falhas em equipamentos não significam apenas paradas inesperadas e prejuízos financeiros. Elas também comprometem a segurança, a confiança do time e a reputação da empresa. Quando essas situações ocorrem mais de uma vez, fica evidente: é preciso identificar a origem verdadeira dessas ocorrências para impedir que voltem a ocorrer.

Detectar a raiz dos problemas de manutenção já não é tarefa apenas de quem responde pelo conserto. Trata-se de uma estratégia coletiva, que demanda métodos, ferramentas analíticas e, cada vez mais, recursos digitais como inteligência artificial e integração de sistemas. Em nossa experiência, plataformas como a Prelix têm transformado o modo como as empresas visualizam e solucionam esses desafios, acelerando saídas inteligentes e oferecendo relatórios precisos rumo à confiabilidade industrial.

O que significa buscar a causa raiz?

Buscar a causa primária de uma falha é investigar além do sintomas mais visíveis, questionando repetidamente "por que" até chegar ao ponto de origem do problema.

O erro só se repete quando a raiz não é compreendida.

No ambiente da manutenção, isso significa olhar para o histórico de incidentes, condições operacionais e padrões ocultos que desencadeiam paradas, quebras e acidentes. Quando encontramos o “gatilho” inicial, podemos agir de modo preciso e duradouro, não apenas tapando buracos, mas eliminando risco de reincidência.

Essa abordagem é essência da análise de causa raiz (ACR), hoje vista como um dos pilares da excelência operacional e da cultura de prevenção. Vale ressaltar: a investigação da origem é reconhecida por normas como a NR-12 e faz parte de grandes práticas globais de gestão de manutenção.

Por que identificar causas raízes transforma a manutenção?

Descobrir e eliminar a causa inicial de um problema é o caminho para ganhos permanentes de confiabilidade, redução de custos e segurança.

Quando deixamos as respostas superficiais de lado, surgem vantagens claras:

  • Menos reincidência de falhas críticas e custos inesperados
  • Tempo de resposta menor nas manutenções corretivas
  • Ativos mais confiáveis, com maior vida útil
  • Ambiente de trabalho mais seguro e menos incidentes de saúde/segurança
  • Relatórios transparentes que orientam treinamentos e decisões assertivas

Essas mudanças só são possíveis porque, ao encontrar a fonte real dos problemas, criamos ações corretivas eficazes, que “removem raízes” e não apenas “colocam curativos”.

Principais métodos e ferramentas para investigação

Não existe uma receita única para desvendar origens de falhas. Nossa experiência mostra que a escolha da ferramenta depende do tipo do problema, dos dados disponíveis e até da cultura do time. Vamos mostrar as metodologias mais eficazes e seus usos.

5 Porquês

Simples, clássico e direto: o método dos 5 Porquês consiste em perguntar “por que?” repetidas vezes sobre a ocorrência inicial, até chegar no fator de base.

  • Vantagens: Fácil aplicação, não exige softwares ou muitos dados.
  • Limitações: Pode ser superficial se as perguntas não forem bem conduzidas. Depende do conhecimento do grupo sobre o processo.

Exemplo: Um motor queimou. Por quê? A ventoinha travou. Por quê? Faltou lubrificação. Por quê? O lubrificador estava sem treinamento… e assim por diante.

Diagrama de Ishikawa (Espinha de peixe)

O diagrama de Ishikawa permite esquematizar visualmente todas as causas potenciais (materiais, mão de obra, método, máquina, meio ambiente e medição). É muito usado para problemas complexos, com múltiplas origens possíveis.

  • Vantagens: Estrutural, estimula pensamento de equipe; ótimo para brainstormings.
  • Limitações: Exige envolvimento multidisciplinar e qualidade dos dados mapeados.

Estudo do Instituto Federal da Paraíba mostra como a combinação do Diagrama de Ishikawa com FMEA trouxe ganhos de clareza e priorização em retroescavadeiras, permitindo visualização de riscos e ações em conjunto.

Diagrama de Ishikawa preenchido em quadro branco industrial

FMEA (Análise de modos de falha e efeitos)

O FMEA é uma abordagem sistemática que identifica todos os modos potenciais em que um componente pode falhar e quantifica impacto, frequência e detectabilidade, gerando um índice chamado de Número de Prioridade de Risco (NPR).

  • Vantagens: Base estatística, ajuda a priorizar riscos.
  • Limitações: Exige banco de dados confiáveis, mais tempo de execução.

A associação entre Ishikawa e FMEA, conforme demonstrado em pesquisa acadêmica, evidencia que sistemas combinados elevam a assertividade ao propor planos de ação direcionados e embasados quantificamente.

Análise de árvore de falhas

Definindo a falha principal no topo, a árvore de falhas é desenhada de cima para baixo, desmembrando causas imediatas e secundárias, formando uma rede lógica de eventos até as origens mais remotas.

Ideal para problemas complexos, com múltiplos subsistemas e efeitos em cadeia.

  • Vantagens: Ótima para grandes plantas e avaliações de segurança operacional.
  • Limitações: Requer tempo, experiência em mapeamentos e integração de dados detalhados.

Em análises que envolvem vazamentos críticos de processo (como em caldeiras), a árvore mostra como pequenos desvios em sensores ou sequências automáticas podem progredir até falhas catastróficas.

Diagrama de Pareto

Aplicado para priorizar investigações, o Pareto separa visualmente os motivos que mais causam paradas ou custos. O foco passa a ser onde está a maior parte do impacto negativo.

  • Vantagens: Visual, direciona esforços para o que mais importa.
  • Limitações: Não explica o porquê, apenas o que ocorre mais frequentemente.

Ao construir o gráfico, já é possível concentrar a análise em poucos modos de falha, ganhando em tempo e em resultado.

Gráfico de Pareto colorido com causas industriais principais

Como estruturar a investigação: passo a passo essencial

Com as ferramentas escolhidas, muitos profissionais se perguntam: como tornar a análise de causa raiz realmente eficaz na rotina? Abaixo detalhamos um roteiro prático.

Definir o problema de modo claro

Uma boa investigação começa pela delimitação do evento ou sintoma observado. Por exemplo: “parada repentina da linha de envase” ou “vazamento de óleo no compressor X”.

Descrever contexto, frequência, gravidade e efeitos sentidos pela operação ajudam a afunilar dados e evitar ruídos nas próximas etapas.

Coletar e analisar dados de forma confiável

Nesta etapa, reunimos registros de manutenção, sensores, históricos de inspeção e até relatos da equipe envolvida. Plataformas como a Prelix simplificam essa tarefa ao centralizar e estruturar dados automaticamente, cruzando informações de modos tradicionais e digitais.

De acordo com um estudo sobre manutenção preditiva com IoT, a integração de sensores e sistemas digitais de coleta de dados amplifica a precisão ao verificar padrões de falha, principalmente em grandes fábricas ou locais de difícil acesso manual.

  • Histórico de ordens e relatórios de manutenção
  • Dados de sensores (temperatura, vibração, pressão, etc.)
  • Fotos, imagens térmicas e gravações
  • Entrevistas com operadores e técnicos diretamente envolvidos

Estudo do Instituto Federal do Espírito Santo reforça que a aplicação de inteligência de máquina já extrai padrões em tempo real, reconhecendo descritores capazes de antecipar falhas em máquinas rotativas. Isso destaca a relevância do uso de dados massivos e analytics na indústria 4.0.

Aplicar métodos de investigação adequados

Usamos o método (Porquês, Ishikawa, FMEA, Pareto ou árvore de falhas) mais alinhado ao evento, reunindo todos os envolvidos para levantar causas e construir hipóteses.

O debate aberto e multidisciplinar reduz chances de omitir causas e aumenta qualidade das soluções propostas.

Em nosso dia a dia, vimos que equipes multidisciplinares, somando operadores, técnicos, engenheiros e supervisores, conseguem capturar mais pontos críticos e validar a investigação com mais segurança.

Priorizar causas e definir plano de ação

Após listar todas as origens possíveis, é fundamental classificar por relevância, risco e impacto. O FMEA, por exemplo, quantifica via NPR, mostrando onde a intervenção é mais urgente.

As ações corretivas devem atacar diretamente a causa de base, sejam treinamentos, mudanças em processos, atualização de peças, revisão de frequências, automatização de inspeções, entre outras.

Corrigir a causa, não apenas o efeito.

Acompanhar resultados e validar eficácia

Planejamento só funciona se monitorado após implementação. Acompanhamos indicadores (MTTR, disponibilidade, reincidências, OEE), validamos a redução ou fim do problema a cada ciclo e documentamos os aprendizados em sistemas, como relatórios RCA da Prelix.

Equipes que documentam detalhadamente cada passo facilitam treinamentos futuros e replicam boas práticas em outros setores, como demonstrado pelas lições do post sobre erros em gestão de ativos industriais.

Exemplo prático: Investigação em linha de produção industrial

Imagine um cenário real: a linha de envase de uma planta apresenta falhas recorrentes de travamento, reduzindo a taxa de produção em 10% nas últimas semanas. O que fazer?

  • Definição do problema: Queda de produtividade por travamento do transportador, especialmente ao mudar o lote.
  • Dados coletados: Logs dos CLPs, histórico de manutenção recente, análise de vibração e relatos da equipe.
  • Ferramenta escolhida: Análise de Ishikawa, complementada por pequena FMEA dos componentes principais.
  • Descoberta: O acúmulo de resíduos do produto alterava a aderência da esteira, forçando o motor além do especificado. Observou-se falta de rotina rigorosa de limpeza e lubrificação.
  • Plano implementado: Revisão do procedimento operacional, implantação de checklist digital, treinamento específico e melhoria no tipo de material de limpeza.

Em poucas semanas, a falha deixou de ser registrada e a taxa de produção voltou ao patamar planejado.

Equipe reunida ao redor de esteira analisando componentes

Como inteligência artificial e sistemas integrados potencializam o resultado

No cenário atual, a evolução das plataformas digitais acelerou a investigação e o monitoramento de causas de falha.

Utilizando inteligência artificial e análise avançada de dados, sistemas como Prelix já cruzam informações operacionais com históricos de falha, sugerem relações nunca antes percebidas e alimentam relatórios automáticos. Assim:

  • Detecção precoce de padrões com algoritmos treinados em exemplos anteriores
  • Geração automática de relatórios RCA, FMEA e planos de melhoria
  • Integração de fontes diversas (sensores, sistemas legados, feedback humano) sem necessidade de adaptações complexas
  • Redução do tempo entre evento e ação corretiva

A revisão do IFMG reforça que o uso combinado de indicadores Lean (como OEE), digitalização e análise de dados permite atacar pontos críticos sem desperdício e com foco nos ativos prioritários.

Nosso conselho: automatize a geração de relatórios e centralize a investigação em plataformas digitais sempre que possível. Isto transforma conhecimento tácito em inteligência coletiva, acelerando o aprendizado e diminuindo a dependência de indivíduos.

O papel da equipe multidisciplinar e da capacitação

A cultura de investigação proativa começa pelas pessoas. Engajar todos – do operador ao engenheiro – amplia o repertório de análise e aproxima a causa real dos fatos cotidianos.

Invista em treinamentos regulares sobre uso das ferramentas, participação em brainstormings e sistemas digitais. Promova o “erro” como oportunidade de melhoria e aprendizado, não como origem de culpa.

Além disso, conectar áreas de manutenção, operação, engenharia, segurança, qualidade e tecnologia faz com que soluções sejam mais robustas e aceitas.

A manutenção autônoma também ganha qualidade quando o foco passa para identificação de causas e prevenção, não só para o reparo imediato.

Automação de relatórios: menos retrabalho, mais aprendizado

Relatórios automatizados, como oferecidos pela Prelix, eliminam tarefas repetitivas e garantem registros detalhados para auditorias e melhoria contínua. Não se trata apenas de documentar, mas de transformar cada incidente em uma base de aprendizagem coletiva.

Centralize todos os dados e relatórios em uma única fonte, integrando com indicadores de saúde, segurança e meio ambiente.

Isso não só evita a perda de informações como acelera análises posteriores e permite replicar rapidamente as soluções bem-sucedidas em outros pontos do parque industrial.

Reflexões sobre monitoramento remoto versus inspeções presenciais apontam que unificar informações técnicas em sistemas digitais reduz interpretações equivocadas, facilitando tomadas de decisão embasadas.

Impactos nos resultados: confiabilidade, custos e segurança

Buscar a origem dos problemas e agir sobre ela garante uma série de ganhos práticos:

  • Menos perdas produtivas, menor desperdício de recursos
  • Redução de custos de manutenção corretiva e de emergência
  • Maior disponibilidade e vida útil dos equipamentos
  • Mais segurança para todos, graças ao corte de riscos recorrentes
  • Engajamento do time por se sentir parte da solução verdadeira

Empresas que implementaram sistemas inteligentes, como a Prelix, relatam diminuição relevante no tempo entre o incidente e a decisão, além de ganhos comprovados na assertividade das análises.

A diferença entre ferramentas de IA e softwares tradicionais fica evidente nos ganhos de visão sistêmica, automação de rotinas complexas e redução do “apagamento de incêndios”.

Conclusão: Conhecimento, tecnologia e pessoas mudando a rotina da manutenção

Encontrar a origem real dos problemas é o que separa as empresas que apenas resolvem falhas das que deixam de conviver com elas.

Com métodos bem aplicados, colaboração multidisciplinar e uso de plataformas inteligentes, a rotina de manutenção se transforma. Elimina-se o famoso “remendo sobre remendo”, substituindo por decisões embasadas, menos imprevistos e um ambiente industrial mais estável.

Se você quer que sua empresa adote essa cultura de prevenção, conte com nosso apoio. Prelix está ao lado da indústria 4.0, oferecendo ferramentas digitais e relatórios automatizados que potencializam cada etapa da investigação. Comece agora a buscar as raízes das falhas e transforme incidentes em aprendizado de valor.

Perguntas frequentes sobre análise de causa raiz em manutenção

O que é análise de causa raiz?

Análise de causa raiz é um processo estruturado para descobrir a origem verdadeira de uma falha ou problema, indo além dos sintomas e atuando sobre o que realmente desencadeou o evento. Em manutenção industrial, ela permite evitar recorrências promovendo mudanças duradouras. Várias técnicas podem ser usadas, do simples “5 Porquês” até métodos avançados com dados digitais.

Como encontrar a causa de uma falha?

Para descobrir a origem de um problema, iniciamos pela descrição detalhada do evento, coletamos e analisamos todos os dados disponíveis (sensores, registros, observações), aplicamos métodos como Ishikawa ou FMEA, cruzamos perspectivas do time, priorizamos as causas e elaboramos planos que atacam a raiz do problema, validando se as soluções realmente eliminam a reincidência.

Quais métodos existem para identificar falhas?

Há métodos clássicos como 5 Porquês, Diagrama de Ishikawa, FMEA, Análise de Pareto e Árvore de Falhas. Cada um atende contextos e problemas diferentes, mas todos buscam mapear causas potenciais e suas relações. Hoje, integra-se sensores, inteligência artificial e relatórios automatizados para potencializar resultados, especialmente em ambientes industriais digitalizados.

Por que investigar a causa raiz é importante?

Investigar a origem das falhas evita que o mesmo problema se repita, economizando recursos, ampliando a confiabilidade dos ativos e promovendo um ambiente mais seguro. Também gera aprendizado contínuo, elimina ações paliativas e facilita o engajamento do time em soluções permanentes.

Quanto tempo leva para achar a causa raiz?

O tempo pode variar de minutos a semanas, conforme a complexidade do problema, os dados disponíveis e a quantidade de pessoas envolvidas. Investigações simples com dados claros são resolvidas rapidamente, enquanto casos mais complexos ou que carecem de registros podem exigir análises detalhadas e testes. O uso de plataformas digitais e IA acelera significativamente esse processo.

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Renan Maia

Sobre o Autor

Renan Maia

Líder de Tecnologia do time Prelix

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