Engenheiro analisando painel de dados ao lado de equipamento industrial parado

No cenário industrial brasileiro, a análise de falhas é uma das práticas mais transformadoras para quem deseja alcançar estabilidade operacional e reduzir prejuízos por paradas inesperadas. Nós, que trabalhamos diariamente ao lado de equipes de manutenção e confiabilidade, sabemos que identificar, tratar e prevenir falhas não é só uma obrigação técnica, mas um desafio estratégico para sustentar resultados. Neste artigo, vamos mostrar um caso concreto, seguindo cada etapa do processo, para que você entenda como aplicar os métodos certos e gerar valor real.

O surgimento do problema: cenário real em uma indústria

Imagine uma linha de produção de bebidas, comum em muitas fábricas nacionais, onde rotuladoras automáticas operam em alta velocidade. Certa manhã, a máquina parou de repente, interrompendo toda a produção. Ao verificarmos, foi constatado que o acionador do motor havia falhado, causando atrasos e um impacto financeiro imediato pelo tempo parado.

Paradas não planejadas geram custos diretos e indiretos muito além da manutenção.

Esse tipo de incidente é mais comum do que se imagina e serve de ótimo ponto de partida para analisar como as melhores práticas ajudam a superar desafios na manutenção industrial.

Primeira etapa: identificação clara da falha

O primeiro passo é documentar o que aconteceu, quando e como. Reunimos o histórico da máquina, registros do sistema de manutenção e relatos dos operadores. Assim, criamos uma linha do tempo dos eventos até o momento do incidente.

  • Hora da parada
  • Condições de operação imediatamente antes
  • Ações já tomadas pela equipe
  • Sintomas observados

É fundamental registrar toda e qualquer anomalia detectada. O detalhamento dessas informações alimenta os métodos de análise, tornando-os muito mais assertivos. Plataformas digitais, como a Prelix, permitem centralizar esses dados, agilizando as etapas seguintes sem o risco de perder informações críticas.

Delimitação do escopo da análise

Definimos o foco: analisar por que o acionador do motor da rotuladora falhou naquele momento, sem abordar todo o equipamento. Essa definição evita a dispersão e mantém o processo sob controle.

Reforçamos para o time: concentrem-se nas evidências do evento, não em suposições.

Ferramentas essenciais para análise de causas raízes

Há três ferramentas clássicas e muito eficientes:

  • 5 Porquês
  • Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe)
  • FMEA (Análise de Modos de Falha e Efeitos)

A escolha depende da complexidade do caso e da cultura da equipe. Aqui, aplicamos cada uma de acordo com o avanço da investigação.

Aplicando os 5 Porquês

Começamos perguntando, em sequência, os porquês do acionador do motor ter parado:

  1. Por que o motor parou? Porque o acionador não funcionou.
  2. Por que o acionador não funcionou? Porque houve uma sobrecarga elétrica.
  3. Por que ocorreu a sobrecarga? Porque um dos sensores indicou leitura errada.
  4. Por que o sensor enviou informação errada? Porque estava sujo com resíduos da linha.
  5. Por que o sensor ficou sujo? Porque não havia rotina de limpeza semanal documentada.

No fim, percebemos que a falha não era do acionador, mas da ausência de padronização na limpeza, apontando para um problema de procedimento, não de equipamento.

Diagrama de Ishikawa: visualizando causas potenciais

Com todos reunidos, desenhamos um Diagrama de Espinha de Peixe para investigar se outros fatores contribuíram para o evento.

Diagrama de espinha de peixe mostrando causas de falha em acionador de motor industrial

Listamos possíveis contribuintes em seis áreas: método, máquina, material, mão de obra, meio ambiente e medição.

  • Método: ausência de procedimento documentado
  • Máquina: sensor de baixa qualidade
  • Material: resíduos viscosos na linha
  • Mão de obra: treinamento insuficiente
  • Ambiente: alta umidade
  • Medição: indicadores imprecisos

Esse exercício ajuda o time a enxergar além do óbvio e amplia o potencial de evitar reincidências.

FMEA: avaliando riscos e priorizando ações

Para não só tratar mas também prevenir, aplicamos a FMEA. Mapeamos possíveis modos de falha, suas causas, consequências e atribuímos uma nota de criticidade. Assim, ficou evidente que a falta de padrão na limpeza trazia risco alto e merecia priorização.

Fluxograma FMEA para linha industrial de bebidas

Plano de ação: respostas práticas e rápidas

Com as causas identificadas, montamos um plano de ação objetivo:

  • Documentar e implementar a rotina de limpeza semanal no procedimento operacional padrão (POP)
  • Treinar todos os operadores sobre a importância da inspeção dos sensores
  • Substituir sensores por modelos de fácil limpeza
  • Criar checklists digitais para garantir futuras inspeções

Cada ação recebeu responsável e prazo. Com o apoio de um sistema como o Prelix, conseguimos orquestrar e realizar o acompanhamento dessas tarefas, reduzindo o retrabalho e agilizando a resposta às falhas.

Monitoramento contínuo e manutenção preditiva

Após as correções, acompanhamos indicadores de performance da rotuladora durante os meses seguintes. A coleta de dados ficou automatizada, ligando sensores inteligentes ao programa de manutenção preditiva. Assim, passamos a prever, e não apenas reagir, a ocorrências futuras.

  • Redução nos alertas por falhas similares
  • Queda nos índices de parada não planejada
  • Maior visibilidade para ajustes contínuos

Esse ciclo só se mantém com registro eficaz, análise periódica dos dados e envolvimento do chão de fábrica. Sistemas digitais aliados à inteligência artificial, como a Prelix, permitem integrar relatórios RCA, FMEA e evolução do histórico da planta, tudo em poucos cliques, sem burocracia.

Monitorar continuamente é tão importante quanto corrigir a falha inicial.

Para quem deseja se aprofundar em práticas como a manutenção autônoma, sugerimos nosso conteúdo: Como implementar manutenção autônoma: passo a passo.

Resultados e benefícios práticos na indústria

Após três meses da implementação do plano de ação, percebemos avanços concretos:

  • Diminuição de 60% nas paradas por falhas na rotuladora
  • Tempo médio de resposta aos incidentes reduzido de 3 horas para 45 minutos
  • Equipe mais engajada e consciente quanto à importância dos registros e da rotina
  • Relatórios automáticos facilitando auditorias e inspeções regulatórias

No dia a dia, notamos aumento da confiança entre manutenção e produção, menos conflitos internos e maior transparência na comunicação dos eventos. O uso de relatórios personalizados gerados pela Prelix apoiou nas revisões mensais e em tomadas de decisão rápidas pelo setor de gestão de ativos.

Integração com sistemas digitais e cultura de aprendizagem

Uma das maiores revoluções é levar as análises do papel para o ambiente digital. Sistemas focados em manutenção possibilitam:

  • Rastreabilidade total do histórico dos ativos
  • Alertas instantâneos para ocorrências críticas
  • Geração automática de relatórios de análise e planos de ação

Esses pontos são realidade entre nossos parceiros graças à Prelix, onde é possível administrar tanto os incidentes de manutenção quanto demandas de saúde, segurança e inspeções 5S, apoiando o cumprimento de normas e o desenvolvimento de uma cultura de melhoria contínua.

Empresas que investem em cultura de registro e aprendizagem conseguem, ao longo do tempo, evitar erros repetidos e criar times cada vez mais preparados. Recomendamos também consultar reflexões sobre a falta de padrão de qualidade nas análises e como isso afeta os resultados do setor.

Evitar novos erros: prevenção e lições aprendidas

Registrar as lições aprendidas em cada incidente é mais poderoso do que só corrigir problemas. Nos apoiamos em bases de dados, reuniões rápidas pós-evento (os chamados “debriefings”) e indicadores automáticos para garantir que melhorias contínuas se mantenham no longo prazo.

Na experiência de parceiros que integram soluções da Prelix, a principal vantagem é a velocidade para transformar incidentes em aprendizado coletivo, evitando que o mesmo problema se repita em outros turnos ou linhas de produção.

Para conhecer riscos comuns em gestão de ativos, recomendamos leitura do artigo sobre erros mais recorrentes na gestão de ativos industriais.

Conclusão: o passo a passo que protege operações industriais

Como mostramos, entender e aplicar cada passo da análise de falhas em ambiente industrial permite transformar eventos negativos em soluções permanentes. Da documentação cuidadosa dos fatos até a implementação e acompanhamento das ações corretivas, cada etapa conta. Ferramentas como os 5 porquês, FMEA e o Diagrama de Ishikawa são aliadas indispensáveis para identificar causas raízes e construir soluções efetivas. Quando tudo é integrado a plataformas digitais com inteligência artificial, como a Prelix, o ganho em agilidade, precisão e segurança é imediato.

Com esse olhar focado na prevenção e na padronização dos processos, acompanhamos setores industriais conquistando menos paradas, respostas mais rápidas e qualidade crescente nos resultados. Para saber mais sobre tendências em manutenção e segurança industrial, visite nossa base de conteúdos no blog Prelix e mantenha sua equipe sempre à frente!

E, se quiser experimentar como transformar incidentes em melhorias automáticas na sua empresa, conheça a Prelix. Descubra como nossa inteligência artificial pode apoiar suas operações desde o primeiro acesso.

Perguntas frequentes sobre análise de falhas industrial

O que é uma análise de falhas industrial?

Análise de falhas industrial é o processo de investigar e entender por que certos equipamentos ou processos falham em uma indústria, buscando identificar a causa raiz do problema para evitar recorrências. Esse processo envolve uso de registros, entrevistas, ferramentas analíticas e planos corretivos definidos de forma estruturada.

Como fazer análise de falhas passo a passo?

O procedimento típico envolve os seguintes passos:

  • Registrar detalhadamente o evento e todos os sintomas
  • Definir claramente o escopo da análise
  • Usar ferramentas como 5 Porquês, Diagrama de Ishikawa e FMEA
  • Implementar e acompanhar as ações corretivas
  • Monitorar os resultados e atualizar rotinas para evitar reincidências

Quais são as principais causas de falhas industriais?

As causas mais comuns envolvem:

  • Falta de padronização nos processos de manutenção
  • Treinamento insuficiente de operadores
  • Uso de peças ou componentes inadequados
  • Ambiente agressivo sem adaptações necessárias
  • Erros de monitoramento e falhas em inspeções

Esses fatores se repetem em boa parte das linhas industriais nacionais.

Quando aplicar análise de falhas na indústria?

A análise deve ser aplicada sempre que houver uma falha crítica, parada inesperada, não conformidade com normas de segurança ou quando houver reincidências do mesmo problema. O ideal é que essas análises façam parte da rotina, não só de eventos graves, mas como parte de um programa de melhoria contínua.

Qual a importância da análise de falhas?

Ela permite identificar causas raízes, reduzir custos com paradas, aumentar a confiabilidade dos equipamentos e criar uma cultura de prevenção de problemas. No longo prazo, isso gera menos retrabalho, mais segurança e melhores resultados produtivos para a indústria.

Para acompanhar mudanças regulatórias, sugerimos o artigo: IEC 61508 e as novidades para manutenção industrial.

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Renan Maia

Sobre o Autor

Renan Maia

Líder de Tecnologia do time Prelix

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