Quando falamos em estratégias para evitar falhas e garantir maior segurança e desempenho nos equipamentos industriais, poucos métodos oferecem tanta clareza quanto a Análise dos Modos de Falha e seus Efeitos, mais conhecida como FMEA. Em nossa experiência, aplicar esse método pode mudar a forma como equipes de manutenção interpretam problemas e implementam melhorias. Por isso, resolvemos compartilhar um guia detalhado, prático e repleto de exemplos, tornando a abordagem muito mais próxima da rotina de quem vive o mundo da manutenção.
Por que o FMEA se tornou referência em manutenção?
A metodologia FMEA nasceu na indústria aeroespacial nos anos 1940 e desde então vem sendo aplicada em diversos setores. Ela visa detalhar, de forma sistemática, possíveis modos de falha dos sistemas, seus efeitos e causas, permitindo a priorização de ações preventivas ou corretivas.
Ao longo das últimas décadas, muitos estudos reforçaram seu potencial para reduzir custos, elevar a segurança e aumentar a confiabilidade dos ativos. Recentemente, pesquisas como a da Universidade Tecnológica Federal do Paraná mostraram resultados impactantes: após aplicar o FMEA, a disponibilidade de um equipamento subiu de 96,9% para 99,8%. Isso nos demonstra que pequenos ajustes no ciclo de manutenção podem multiplicar resultados.
Prevenir falhas é multiplicar oportunidades.
O ciclo do FMEA passo a passo
Vamos detalhar o caminho para aplicar o FMEA de maneira prática em qualquer ambiente industrial. Seja em uma grande planta ou numa pequena linha produtiva, o método permanece o mesmo:
- Planejamento e definição do escopo – Decidimos qual sistema ou processo será analisado.
- Montagem da equipe multidisciplinar – A diversidade de experiências enriquece a análise.
- Levantamento funcional – Descrevemos as funções e expectativas do equipamento.
- Identificação dos modos de falha – Listamos tudo o que pode dar errado em cada componente.
- Análise dos efeitos e causas – Buscamos entender como a falha pode impactar o sistema e o que pode originá-la.
- Avaliação dos riscos – Usamos índices de severidade, ocorrência e detecção.
- Cálculo do RPN – Multiplicamos os índices para priorizar ações.
- Definição e aplicação das ações – Estabelecemos planos de melhoria ou controle.
- Documentação e acompanhamento – Mantemos registros e revisamos periodicamente.
A seguir, detalharemos cada etapa com exemplos e sugestões.
Planejamento: escolhendo o que analisar
Em nosso dia a dia, percebemos que tentar analisar tudo ao mesmo tempo pode dispersar recursos e energia. Por isso, costumamos priorizar equipamentos que:
- Apresentam maior histórico de falhas;
- Implicam riscos de segurança, ambientais ou custos elevados;
- São críticos para o processo operacional.
Na Prelix, sugerimos ainda que o escopo seja bem delimitado. Por exemplo, em um compressor, podemos estudar só o sistema de lubrificação ou estender a análise a todo o conjunto.
Equipe multidisciplinar: somando experiências
Já vivenciamos situações em que incluir um operador no FMEA trouxe uma visão prática que os engenheiros não perceberam. Manutenção, operação, segurança e até compras: cada área amplia o entendimento dos riscos e alternativas.
É fundamental que todos compreendam o método, tenham acesso ao histórico de manutenção, desenhos e especificações técnicas.

Levantamento funcional: entendendo o equipamento
Antes de listar falhas, precisamos saber exatamente o que esperamos do equipamento. Exemplos:
- Uma bomba deve transferir determinado volume de líquido por hora;
- Um forno deve atingir e manter faixa de temperatura estável;
- Um painel deve garantir o acionamento seguro de motores.
Ao descrever as funções, facilitamos a identificação de falhas que realmente comprometem o desempenho.
Identificando modos de falha
Cada componente pode apresentar diferentes modos de falha. Por exemplo, um motor elétrico tem:
- Curto-circuito no enrolamento;
- Superaquecimento dos rolamentos;
- Soltura de conexão elétrica;
- Vazamento de óleo.
No caso do estudo do Instituto Federal de São Paulo, foram identificadas degradação do material isolante e falha no rolamento principal como causas comuns de superaquecimento em motores.
Identificar o modo de falha é o primeiro passo para interromper o ciclo do prejuízo.
Analisando efeitos e causas
Cada modo de falha estudado precisa ser detalhado quanto aos seus efeitos – o que acontece se o problema ocorrer – e suas causas prováveis.
- Falha: Vazamento de óleo
- Possíveis efeitos: Risco de incêndio, contaminação ambiental, parada do equipamento
- Causas prováveis: Envelhecimento de juntas, aperto insuficiente, sobrepressão
Entender as reais causas é fundamental para propor soluções duradouras e não apenas medidas paliativas.
Priorizando riscos: classificando severidade, ocorrência e detecção
A análise de risco no FMEA é feita usando três índices, que variam normalmente de 1 a 10:
- Severidade (S): Quão grave é o efeito da falha;
- Ocorrência (O): Probabilidade da falha acontecer;
- Detecção (D): Chance de detectar antes do efeito negativo.
Exemplo fictício para ilustrar:
- Severidade: Incêndio no quadro elétrico – nota 10;
- Ocorrência: Já houve três casos em um ano – nota 6;
- Detecção: Só é identificado após o dano – nota 9.
Multiplicamos os três para obter o índice RPN:
RPN = S x O x D
Assim, RPN = 10 x 6 x 9 = 540. Quanto maior o RPN, mais urgente é a ação.
Definindo ações de melhoria
Após calcular o RPN de todos os modos de falha, focamos naqueles de maior risco. As ações podem incluir:
- Mudanças de projeto;
- Adoção de peças com melhor qualidade;
- Inclusão de inspeções em rotinas preventivas;
- Treinamentos específicos para equipes;
- Sensores de monitoramento;
- Padronização de procedimentos (tema tratado no artigo sobre padrão de qualidade em análises).
Vale reforçar: documentamos tudo. Essa rastreabilidade é um dos pilares do FMEA e ajuda na revisão futura.
Documentação, acompanhamento e revisão periódica
O FMEA vivo é atualizado: sempre que há uma nova falha, melhoria ou alteração significativa no sistema, os registros devem ser revistos.
Na prática, sugerimos criar um banco de dados simples, que pode ser digitalizado em softwares como a plataforma Prelix, garantindo histórico e análises ao alcance da equipe. Relatórios RCA e FMEA automatizados aceleram o processo, evitam a perda de dados e integram informações em tempo real.

Mantemos a revisão periódica como rotina. Isso permite comparar se as melhorias reduziram RPNs, identificar tendências de falhas emergentes e adaptar estratégias de manutenção.
Integração com estratégias de manutenção preventiva e gestão de ativos
O FMEA tem seu melhor desempenho quando integrado nos processos de manutenção preventiva e ainda mais quando alinhado à gestão eficiente de ativos industriais. Não é raro que, após a aplicação da análise, componentes passem a ser inspecionados com frequência diferente ou seja adotada manutenção baseada em condição.
Relatos como o da Revista Brasileira de Iniciação Científica mostram que esse alinhamento permitiu otimizar custos e reduzir paradas inesperadas.
Registrar, revisar e alinhar: o tripé das decisões inteligentes em manutenção.
Exemplos reais de FMEA em manutenção industrial
Selecionamos três cenários, baseados em casos reais e estudos acadêmicos, para mostrar o FMEA exemplo manutenção em detalhes:
1. Motor elétrico refrigerado a água
Segundo o estudo do IFSP, identificaram-se como modos de falha principais:
- Degradação do isolante do enrolamento
- Falha do rolamento principal
Efeitos notados: superaquecimento, paradas inesperadas e risco de incêndio. As causas incluíram ressecamento de isolante e temperatura excessiva devido a falha na bomba de resfriamento. As ações recomendadas foram revisões periódicas, manutenção preditiva e implementação de sensores.
2. Módulo desacelerador de produtos
Em pesquisa da UTFPR, a aplicação do FMEA levou à adoção de controles automáticos, troca de componentes e revisão de intervalos de inspeção. O resultado foi o salto no tempo médio entre falhas (MTTF) de 57,7 para 1.774 horas e o aumento da disponibilidade.
3. Tanques de armazenamento de combustíveis
O caso de empresa distribuidora analisada na Femass detalhou como o FMEA permitiu levantar modos de falha críticos, como vazamento por corrosão e transbordo. Ao calcular o risco (RPN), priorizaram inspeções, melhoria de vedação e implementação de controles automatizados, mantendo os riscos dentro de níveis aceitáveis.
Como documentar e integrar o FMEA às rotinas?
Na rotina de manutenção, indicamos que cada nova análise seja armazenada em um repositório central e de fácil acesso (pode ser digital ou impresso, conforme a realidade de cada empresa). Sugerimos organizar os registros por equipamento e critério de criticidade.
Projetos como a Prelix investem em automação para agilizar tanto a análise quanto o acesso ao histórico de FMEA, rastreando tendência de falhas, facilitando a abertura de ordens de serviço e geração de relatórios.
Manutenção autônoma e o papel do FMEA
Outro ponto estratégico é o uso do FMEA em programas de manutenção autônoma, em que operadores atuam no monitoramento e pequenas intervenções em máquinas. Com o levantamento prévio dos modos de falha, é possível treinar equipes para identificar sintomas ainda no início e intervir rapidamente. A aplicação desse conceito é detalhada no artigo sobre implantação de manutenção autônoma em nosso blog.

Benefícios concretos do FMEA em manutenção industrial
Ao integrarmos o FMEA à gestão de manutenção, observamos ganhos como:
- Redução expressiva de custos com falhas inesperadas;
- Maior confiabilidade de ativos e consequente aumento da disponibilidade das linhas produtivas;
- Melhoria do ambiente de trabalho, com menos acidentes e incidentes;
- Agilidade na resposta a problemas emergentes;
- Maior assertividade nas análises, com decisões baseadas em dados históricos e técnicos.
Esses resultados são tema de debates em diversos estudos nacionais, inclusive os publicados na Revista Gestão Industrial.
FMEA e normas aplicáveis
Mencionar o FMEA sem citar as normas que o envolvem seria incompleto. Muitas práticas de manutenção são guiadas por padrões, como a IEC 61508, que trata de segurança funcional – tema que abordamos em detalhes no artigo sobre o impacto da IEC 61508 para a manutenção.
Nossa recomendação é alinhar o método FMEA à legislação vigente e aos requisitos normativos internos de cada organização.
Conclusão: Colocando o FMEA em ação
Adotar o FMEA transforma a manutenção em um processo mais seguro, inteligente e alinhado com as metas de negócio.
Quando demonstramos ao nosso time o impacto do método, rapidamente eles percebem a diferença: menos chamados corretivos, mais previsibilidade e solução rápida para os problemas. Plataformas como a Prelix potencializam ainda mais esse resultado, com geração automatizada de relatórios e integração entre áreas.
Se deseja inovar na manutenção da sua empresa, recomendamos conhecer a Prelix e nosso conteúdo especializado. O FMEA é só o começo de uma jornada rumo à confiabilidade total dos ativos industriais.
Perguntas frequentes sobre FMEA em manutenção
O que é FMEA na manutenção?
FMEA é uma metodologia de análise sistemática dos modos de falha, seus efeitos e causas, permitindo priorizar ações de prevenção e controle em equipamentos de manutenção industrial. Ele apoia decisões na identificação de falhas potenciais antes que causem danos, evitando custos maiores e riscos de segurança.
Como aplicar FMEA em manutenção industrial?
Em nossa experiência, sugerimos seguir um roteiro: escolha o equipamento, monte uma equipe multidisciplinar, detalhe as funções, liste modos de falha, avalie seus efeitos e causas, classifique severidade, ocorrência e detecção, calcule o RPN, defina ações e acompanhe os resultados no tempo. É recomendado documentar todo o processo e revisar os dados periodicamente.
Quais exemplos práticos de FMEA em manutenção?
Entre os casos mais ilustrativos: motores elétricos com falhas de isolamento, tanques de combustível com riscos de vazamento, e módulos industriais com baixa disponibilidade devido a falhas recorrentes. Todos esses exemplos já tiveram suas situações revertidas a partir da análise FMEA, que apontou medidas preventivas específicas para cada caso.
FMEA vale a pena para pequenas empresas?
Sim, vale. O método é flexível e pode ser ajustado à realidade de pequenas operações, funcionando tanto em planilhas simples quanto em plataformas automatizadas. O importante é a disciplina na documentação, revisão e tomada de decisões.
Onde encontrar modelos de FMEA para manutenção?
Modelos podem ser encontrados em manuais técnicos, plataformas voltadas ao setor, artigos científicos e conteúdos especializados como as publicações do blog Prelix, por exemplo na categoria de manutenção industrial. Essas fontes já trazem exemplos e planilhas ajustáveis à realidade de diversos setores.